A banda Onda Sul acaba de lançar seu EP de estreia, “A volta dos que não foram”, um compacto e vigoroso exercício de rock autoral, com 13 minutos de energia crua e atmosfera positiva.
O trabalho do trio santa-mariense abre com “Surf Music”, um instrumental expansivo que promete, no futuro, ganhar letra e continuidade, estabelecendo desde já a identidade do grupo: guitarras reverberantes e uma base rítmica sólida.
Em “Fingir”, a banda cria uma sábia crítica ao país, usando o diálogo como metáfora de um ciclo decadente.
A temática pessoal surge em “Ela me trocou”, enquanto “Por isso” mergulha na autorreflexão.
O fechamento com “Reggae do guerreiro” é um acerto, homenageando com groove contundente o trabalhador brasileiro, “escravizado pelo sistema”.
Produzido com cuidado artesanal, gravação da bateria com André Correa (Rampantes), mixagem e masterização nas mãos experientes de Lucas Guerra (ex-Pense), o trabalho brilha também fora dos alto-falantes. A capa, um desenho orgânico assinado por Zeca, é uma declaração poderosa. Em tempos de proliferação de imagens geradas por IA, essa arte manual ressalta a personalidade humana e genuína no coração da Onda Sul.
Mais do que uma promessa, “A volta dos que não foram” é a chegada anunciada de uma banda que entende que potência, crítica e catarse podem — e devem — coexistir. Um primeiro passo firme, que faz um belo recorte do álbum completo que já está a caminho.
Ouça “A volta dos que não foram” nas plataformas de streaming.
Fonte: Reprodução/Rádio Armazén
Foto: Divulgação
